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O blog das nutricionistas
Fernanda Bernaud & Thaís Rasia

Menstruação é um indicador de saúde. Se o seu ciclo sumiu ou virou uma bagunça, vale investigar 💛

8 de set.
2 min de leitura

Sobre desordens menstruais e disfunção ovulatória


antidepressivo-obesidade

O hipogonadismo hipogonadotrófico funcional é um termo que descreve um “modo de funcionamento” do corpo em que o sistema reprodutivo fica mais lento. Na prática, isso pode aparecer desde ciclos longos ou irregulares, ausência de ovulação e, em casos mais intensos, a ausência de menstruação (amenorreia).

 

A forma mais grave desse espectro é a amenorreia hipotalâmica funcional (AHF), caracterizada por 3 meses ou mais sem menstruar. Ela acontece quando o corpo, influenciado por fatores como estresse, exercícios físicos intensos e baixa disponibilidade de calorias e carboidratos ou alimentação desordenada, ou o mais comum, uma combinação deles, “desliga” sinais do cérebro que ajudam a manter o ciclo menstrual.

 

O que muda no organismo?

Na AHF, o cérebro passa a liberar menos estímulos para a produção dos hormônios do ciclo. Entre as alterações, podem ocorrer:

  • menos estímulo do GnRH (hormônio central)

  • redução de estrogênios

  • aumento relativo do cortisol (hormônio ligado ao estresse)

  • alterações do funcionamento da tireoide 

 

Isso afeta diretamente a ovulação. Quando o estímulo hormonal fica desorganizado, a menstruação pode parar — e, com o tempo, isso traz consequências bem ruins, para além da infertilidade.

 

Consequências para a saúde

  • perda de massa óssea (maior risco de fragilidade)

  • alterações no funcionamento dos vasos sanguíneos

  • maior risco cardiovascular 


Ou seja: não é só “sobre parar de menstruar”.



Tratamento:


Até o momento, a terapia cognitivo-comportamental (TCC) e o cuidado com as emoções e manejo do estresse tem papel central. Do ponto de vista nutricional, estratégias para corrigir padrões alimentares errôneos e recuperar o equilíbrio podem ajudar a restaurar os ciclos e reverter desequilíbrios hormonais.

 

Em especial, restringir carboidratos por longos períodos — algo comum em algumas dietas — pode reduzir a “disponibilidade de energia” do corpo e também afetar sinais ligados ao ciclo menstrual. Além disso, permanecer muito tempo em baixa disponibilidade de calorias e carboidratos pode contribuir para:

  • piora no desempenho do exercício

  • queda de coordenação

  • irritabilidade e humor deprimido

  • menos foco e concentração

  • diminuição de força muscular

  • maior risco de lesões


 

Apoiar a fisiologia hormonal feminina começa com uma alimentação bem ajustada, o manejo do estresse e o respeito aos sistemas interconectados que sustentam a nossa saúde e qualidade de vida.



Referências:

Saadedine M, Berga SL, Faubion SS, Shufelt CL. The silent pandemic of stress: impact on menstrual cycle and ovulation. Stress. 2025;28(1):2457767.

 

Morrison AE, Fleming S, Levy MJ. A review of the pathophysiology of functional hypothalamic amenorrhoea in women subject to psychological stress, disordered eating, excessive exercise or a combination of these factors. Clin Endocrinol (Oxf). 2021;95(2):229-38.

 

  


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F&T Notes: pelas nutricionistas Fernanda Bernaud e Thaís Rasia



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