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Rome V (2026): Uma estrutura global para distúrbios da interação intestino-cérebro

Por quase 30 anos, a Rome Foundation estabeleceu o padrão global para o diagnóstico dos Distúrbios das Interações Cérebro–Intestino (DGBIs). O Rome V é a mais recente publicação desse trabalho — desenvolvido por mais de 140 especialistas em 27 países - divulgado em maio de 2026.
O Rome V introduz critérios diagnósticos atualizados, recomendações de tratamento ampliadas e uma abordagem mais centrada no paciente, fortalecendo como os DGBI são classificados, investigados e tratados em todo o mundo.
Os transtornos da interação intestino–cérebro, previamente denominados transtornos gastrointestinais funcionais, têm sido historicamente pouco compreendidos. Inicialmente vistos principalmente como transtornos da motilidade, os avanços científicos têm mudado para abranger distúrbios mais amplos em neurogastroenterologia, alterações na microbiota intestinal e ativação imunológica, além de respostas aos alimentos — todos atuando por meio das interações cérebro–intestino.
Um avanço fundamental foi a mudança de um diagnóstico por exclusão para uma abordagem diagnóstica positiva e padronizada. Os DGBIs possuem mecanismos biológicos identificáveis e não devem ser vistos como algo "apenas psicológico".

O tratamento também evoluiu:
O Rome V reforça que o cuidado deve ser multidisciplinar. O tratamento deixa de ser predominantemente farmacológico e passa a integrar oficialmente:
· Nutrição
· Terapias comportamentais
Dentro dos distúrbios intestinais de acordo com o ROMA V, um dos mais vistos no consultório é a Síndrome do Intestino Irritável.
Síndrome do Intestino Irritável (SII)
A SII é um transtorno no qual o sistema gastrointestinal responde de forma excessiva a uma variedade de estímulos, como alimentos, mudanças hormonais, medicamentos e estresse. A dor resultante de espasmos ou do estiramento do intestino, de um intestino sensível ou de ambos pode ser sentida em qualquer parte do abdômen. Fatores fisiológicos e psicológicos interagem para influenciar os sintomas.
A nova definição:
Dor abdominal OU desconforto recorrente, com início há pelo menos 6 meses e sintomas presentes nos últimos 3 meses, em uma frequência ≥3 dias por mês, associado a dois ou mais dos seguintes critérios:
Associado à evacuação
Associado à mudança na frequência evacuatória
Associado à mudança na forma (aparência) das fezes
Classificada em leve, moderada ou severa, sendo as apresentações mais graves observadas majoritariamente nas mulheres em relação aos homens.
Quais foram as principais mudanças:
1. “desconforto” voltou aos critérios
No Rome IV, a Síndrome do Intestino Irritável (SII) exigia obrigatoriamente dor abdominal. No Rome V, o termo “desconforto” foi reincluído, porque muitos pacientes apresentam sintomas relevantes sem dor clássica.
2. A frequência mínima caiu de 1 vez por semana para 3 dias por mês
Estudos indicam que há um componente genético na SII. Além disso, exposições ambientais, como a infecção na infância por Salmonella, podem ser um fator de risco para SII na vida adulta. Dificuldades precoces de aprendizado ou interações emocionalmente desafiadoras que ocorrem no início da vida podem predispor os indivíduos a Distúrbios das Interações Cérebro–Intestino.

Tratamento dietético:
Partimos primeiro da identificação de alimentos desencadeadores. Adicionalmente, testes de predisposição genética à alergias alimentares podem ser indicados.
O monitoramento dos sintomas através de um diário pode auxiliar na identificação de fatores dietéticos ou estressores que desencadeiam os sintomas.
Medidas gerais incluem
Fibras: Suplementação é segura e acessível, devendo adequar à tolerância individual.
Dieta: baixo teor de carboidratos fermentáveis (FODMAPs) detém a maior força de evidência.
A SII não deve ser mais um diagnóstico de exclusão - basta o indivíduo apresentar os critérios diagnósticos e não ter outros sinais de alarme, como perda de peso ou anemia.
Você já percebeu como estresse, ansiedade e alimentos específicos afetam seu intestino?
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F&T Notes: pelas nutricionistas Fernanda Bernaud e Thaís Rasia







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