Alterando o microbioma para tratar o melanoma: isso pode funcionar?
- há 4 dias
- 2 min de leitura

Nossa última newsletter mostrou que há uma mudança significativa e de longo prazo em curso — enquanto, nos últimos anos, o foco esteve na proteína, espera-se que surja um movimento mais consciente de saúde intestinal como resposta no futuro. Queremos continuar impulsionando esse movimento, hoje com um tema super instigante: a saúde do ambiente intestinal pode influenciar a resposta ao tratamento de um tipo de câncer de pele. Leia mais na nossa newsletter para conhecer os detalhes.
Uma pesquisa apresentada no 11º Congresso Mundial de Melanoma e 21º European Association of Dermato Oncology Congress do ano de 2025 sugere que manipular o microbioma intestinal pode aumentar a eficácia da imunoterapia em pacientes com melanoma (câncer de pele).
Uma das estratégias para alterar o microbioma consiste em desenvolver um produto bioterapêutico vivo que imite a composição bacteriana das fezes de uma pessoa considerada super doador, um paciente com câncer que teve resposta completa à imunoterapia.
“Ao alterar estrategicamente o microbioma intestinal, podemos potencialmente transformar não respondentes em respondentes, ampliando o benefício clínico das imunoterapias que, de outra forma, não aproveitariam todo o potencial do sistema imunológico contra o câncer”, disse Nadim Ajami, PhD, diretor executivo de pesquisa científica no MD Anderson Cancer Center da University of Texas, em Houston, ao Medscape Medical News.

Outros dados apresentados no congresso tratam do potencial de uma dieta rica em fibras. Entretanto, ainda são dados preliminares de um ensaio clínico que recrutou, até o momento, 45 pacientes com melanoma. Os pesquisadores avaliaram o efeito de uma intervenção ao longo de 10 semanas com ingestão de 50 gramas de fibra por dia, em comparação com 20 gramas por dia. As dietas de ambos os grupos eram extremamente saudáveis e incluíam alimentos conhecidos por conter fibras solúveis e insolúveis, como frutas, sementes de chia, feijão e hortaliças. Entre os 20 pacientes avaliados até o momento, 77% (10 de 13) do grupo de alta fibra responderam à imunoterapia, em comparação com 29% (2 de 7) no grupo de controle. Embora o tamanho da amostra seja limitado, Ajami afirmou que os resultados preliminares são encorajadores. No mês de março, os pesquisadores publicaram um estudo, ainda com observacional, demonstrando a relação entre a fibra dietética e a melhoria da resposta à imunoterapia no melanoma.
Uma dieta tão rica em fibras pode não ser fácil de adotar para todos e, em algumas pessoas, pode causar desconfortos intestinais; no entanto, a ideia central de que o equilíbrio do microbioma pode influenciar a ativação das células imunes em pacientes com melanoma é promissora e merece acompanhamento ao longo do tempo. Vamos ficar de olho nos próximos resultados e novidades desse campo de pesquisa.
--
F&T Notes: pelas nutricionistas Fernanda Bernaud e Thaís Rasia







Comentários