🌿 A alimentação pode influenciar a rinite alérgica?
- 25 de jun.
- 3 min de leitura
O que a ciência sobre microbiota está começando a revelar.

Um jornalista britânico, na faixa dos 30 anos, relatou que sofria há anos com rinite alérgica. Após adotar uma dieta vegetariana, percebeu uma melhora repentina e significativa dos sintomas, com redução importante das manifestações alérgicas que antes eram persistentes.
Foi apenas uma feliz coincidência ou existe uma ligação biológica entre o que colocamos no prato e como nossos narizes reagem ao pólen e outros alérgenos?
Assim começa um relato do pesquisador Tim Spektor sobre sua participação em uma reportagem para o The Times comentando essa história interessante.

🤧 O que é a Rinite Alérgica?
É uma inflamação da mucosa nasal que ocorre quando o sistema imunológico reage de forma exagerada a alérgenos presentes no ar, especialmente o pólen, ácaros da poeira ou mofo.
Principais sintomas:
Espirros e coriza;
Congestão nasal;
Olhos vermelhos, coçando e lacrimejando;
Coceira no céu da boca, garganta ou ouvidos;
Tosse e fadiga.
Intestino e alergias: uma conexão importante
Pesquisadores vêm testando hipóteses bastante relevantes sobre a relação entre microbiota intestinal e alergias sazonais.
Para começar, 70% do nosso sistema imunológico está associado ao trato gastrointestinal, e está constantemente sendo “treinado” pelos trilhões de microrganismos habitam nosso intestino. Desde o nascimento, esses micróbios ensinam às nossas células imunes o que é uma ameaça real (como um vírus/bactéria patogênicos) e o que é inofensivo (como o pólen). Quando o microbioma intestinal é diverso e bem equilibrado, nosso sistema imune é “tolerante”, mas quando não há equilíbrio, o sistema pode ficar hiperreativo..
Pode o que colocamos no prato transformar a nossa reação aos alérgenos?
O Poder das Hortaliças: Diversos estudos mostram que pessoas que seguem dietas ricas em alimentos de origem vegetal, com alto teor de fibras (como a clássica dieta mediterrânea) sofrem significativamente menos com alergias. O que sabemos é que as fibras alimentam micróbios benéficos que produzem compostos anti-inflamatórios.
Ultraprocessados: Os vilões da história, dietas ricas em produtos alimentícios ultraprocessados e pobres em fibras estão associadas ao dobro do risco de condições alérgicas.
Probióticos: Uma revisão com mais de 30 estudos controlados encontrou um sinal pequeno, porém consistente: probióticos podem reduzir sintomas alérgicos da rinite.
💡Embora os dados sobre probióticos possam ser encorajadores, são difíceis de serem generalizados. Cada pessoa tem um microbioma intestinal único, um probiótico que funciona para um indivíduo, pode não fazer diferença para outro.
É por isso que acreditamos que o padrão da alimentação é muito mais importante do que qualquer suplemento isolado. Ao fortalecer seu microbioma intestinal, você dá ao seu sistema imunológico a melhor chance de permanecer calmo quando exposto aos alérgenos.
Hábitos alimentares que fazem a diferença (sem complicação):
1. Consumir uma grande diversidade de alimentos de origem vegetal por semana - "Regra dos 30"
Não se trata apenas de frutas e verduras. Quanto maior a diversidade de alimentos de origem vegetal, em torno de 30 diferentes por semana, maior tende a ser a diversidade microbiana intestinal.
Exemplos:
Leguminosas;
Ervas;
Especiarias;
Oleaginosas;
Sementes;
Chás.
cereais integrais
2. Comer um "arco-íris" de cores
Priorizar hortaliças coloridas. Diferentes cores fornecem diferentes polifenóis, compostos bioativos que tem propriedades anti-inflamatórias, alimentam bactérias benéficas e favorecem a saúde intestinal.
Exemplos:
Roxo: mirtilo, amora, batata doce roxa;
Vermelho: tomate, pimentão vermelho;
Laranja: cenoura, abóbora;
Verde: espinafre, couve, brócolis.
3. Consumir alimentos fermentados diariamente (*conforme tolerâncias e orientação de nutricionista). Incluir alimentos fermentados pode fortalecer o ambiente intestinal e favorecer a diversidade microbiana.
Exemplos:
Kefir;
Kimchi;
Chucrute;
Kombucha.
4. Reduzir ultraprocessados
Os ultraprocessados podem favorecer processos inflamatórios e prejudicar a microbiota intestinal.
Portanto, a orientação é substituir:
Snacks industrializados;
Biscoitos recheados;
Refrigerantes;
Refeições ultraprocessadas.
5. Evitar comer até tarde da noite
Períodos mais longos sem ingestão alimentar podem beneficiar a microbiota. A sugestão é manter cerca de 12 a 14 horas de jejum noturno.
A hipótese é que esse intervalo favoreça processos de manutenção e recuperação da barreira intestinal.
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F&T Notes: pelas nutricionistas Fernanda Bernaud e Thaís Rasia







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